quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O tempo parou. Ela continuou andando sentindo o nada sob seus pés. O mundo parou. Ela via tudo congelado: pessoas, carros, bichos, fumaça e a chuva. A chuva que caía parou de cair. Estava parada no ar. Ela podia escolher a gota que quisesse e pega-la.
Resolveu explorar sua pequena cidade parada. Observou os carros...os noticiários parados da TV...o cachorrinhu com a pata levantada ao lado do poste pronto para se aliviar...e as pessoas. Sim, as pessoas. Foi o que ela mais observou. Seus rostos, suas expressões. Percebeu que muitos dos que dirigiam tinham uma expressão de raiva, exceto um. Esse parecia feliz. Como se tivesse acabado de ganhar um novo carro velho. Os que estavam a pé pareciam cansados, exaustos do frio. Loucos para chegar em casa, se secar e se aquecer em baixo de um bom cobertor. Mas havia uma pessoa feliz na porta do hospital. Uma menina que deveria ter mais ou menos uns 12 anos. Parecia ser a primeira vez que ela via a chuva, a rua, a cidade, a movimentação das pessoas e dos carros.
O silêncio era mudo. Nem vento se ouvia, nem vento lhe tocava. Sentiu-se bem. Só. Pode ver a vida com outros olhos, como sempre quis ver. E tudo retomou o movimento.
[.Miroma. ]