quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O tempo parou. Ela continuou andando sentindo o nada sob seus pés. O mundo parou. Ela via tudo congelado: pessoas, carros, bichos, fumaça e a chuva. A chuva que caía parou de cair. Estava parada no ar. Ela podia escolher a gota que quisesse e pega-la.
Resolveu explorar sua pequena cidade parada. Observou os carros...os noticiários parados da TV...o cachorrinhu com a pata levantada ao lado do poste pronto para se aliviar...e as pessoas. Sim, as pessoas. Foi o que ela mais observou. Seus rostos, suas expressões. Percebeu que muitos dos que dirigiam tinham uma expressão de raiva, exceto um. Esse parecia feliz. Como se tivesse acabado de ganhar um novo carro velho. Os que estavam a pé pareciam cansados, exaustos do frio. Loucos para chegar em casa, se secar e se aquecer em baixo de um bom cobertor. Mas havia uma pessoa feliz na porta do hospital. Uma menina que deveria ter mais ou menos uns 12 anos. Parecia ser a primeira vez que ela via a chuva, a rua, a cidade, a movimentação das pessoas e dos carros.
O silêncio era mudo. Nem vento se ouvia, nem vento lhe tocava. Sentiu-se bem. Só. Pode ver a vida com outros olhos, como sempre quis ver. E tudo retomou o movimento.
[.Miroma. ]

domingo, 28 de junho de 2009

Simples Momento

Saiu aquele dia sem se preocupar com nada nem ninguém. Saiu apenas por sair. Queria olhar o mar, sentir o calor do sol, o vento em seu rosto... A vontade de sentir a liberdade era muita. Tentava guardar aquele momento como se fosse único. Curtia cada segundo e cada detalhe.
O mar estava azul la no fundo, mas com as ondas esverdeadas que quebravam e revelevam uma espuma branquinha como neve. O sol solitário la em cima... Um ponto amarelo no meio do imenso azul claro. A direita se via algumas nuvens brancas como algodão, mas elas não assustavam. Não estavam tristes, não ameaçavam chorar.
As pessoas caminhavam despreocupadas pela areia que, como a maré estava seca, se encontrava cheia de conchinhas e pedaços de corais. Ah como era bom detalhar tudo e gravar em sua mente. Era o dia mais feliz de sua vida.
Miroma.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Abajur

Ela olhava o abajur e seus pensamentos voltavam no tempo. Voltavam e avançavam para falar a verdade. Era uma mistura de tudo. Lembrava do simples som das ondas.. do seu primeiro beijo, seu primeiro amor. Ao mesmo tempo vinha a tona aquela festa onde conheceu seus futuros amigos e seu futuro namorado. De repente, a saudade dos velhos amigos. Bons tempos, boas brincadeiras, boas confissões. Por horas e horas ela ficou ali. Se sentiu feliz ao perceber como sua vida valeu a pena até ali..e poderia valer ainda mais de agora em diante. E olhando a luz intensa no abajur ela se sentia hipnotizada, como formiguinhas de chuva. Miroma.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Pluie

Chuva... Chuva insensata, Molha minha face e encharca meus pensamentos. Me faz mudar de idéia. A dúvida domina, o vento auxilia. Frio. Frio que corroe; Não pensa, não age Não sente! Me sinto. Me vejo, não ouço. Grito. Ecoa... nada escuto. Todos e nada. (o que faço aqui?) Chuva corre, escorre. Ensopa os cabelos, Mergulha na calça, Umedece a blusa. Água. É só o que resta. É tudo que sobra. É tudo que tenho. Miroma.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Me sinto tão estranha aqui..uma agustia eterna me domina. Por que nada do que faço me faz feliz? Queria ganhar na mega sena e me mandar para bem longe. Só eu e meu amor. Sem preocupações..sem mãe, sem pai.. sem NADA! Estranho mais estou com uma raiva guardada. Não sei se tem motivo, mas se não tem, eu arranjo. E a vida vai passando. Um dia pior que o outro. Meus únicos dias legais eram: fim de sexta, sabado e domingo. Meus dias de luto? Meus dias de glória? Não. Simplismente meus TRISTES dias. Meus péssimos. Meus únicos.
Miroma.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Queria sair daqui. Me perder no mundo dos sonhos. Descobrir o que quero ser. Viver dançando a música do meu coração.. falando as línguas mais complexas e românticas.. sentindo a brisa do assobro de um poeta.. ouvindo as palavras mais belas de um escritor. Miroma.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Um frio congelante invade a espinha... Uma claridade me cega. E nada mais é visto ou sentido. Miroma.
Procurando pistas de um passado fico a me perguntar sobre sonhos que tive. Loucas alucinações conflitantes.Eu e eu mesma a lutar sem um propósito. Sonhos fundido, desejos incontroláveis.. e o pedido? Onde está? Fugindo de minhas mãos tão rápido quanto entrou em meu coração. Uma corrida desenfreada contra o tempo. Ah se o passado virasse presente.... Se os sonhos fizessem parte do mundo real...se a vontade fosse saciada... O passado se ria inesquecível, o presente bem vivido e o futuro já não importaria tanto. ...a vontade de ser realmente quem sou. O ciclo vicioso de amar a cada dia.. De se apaixonar todo dia.. De conquistar todo dia sempre a mesma pessoa. Se o sentido de vida for esse... Creio que a felicidade está por vir. Miroma.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Full Moon

A Lua linda hoje lá fora... O Tormento formigante aqui dentro. As lembranças voltaram a mil Parecia filme mudo Só imagens.. Nada além de imagens. A música que agora escuto retrata uma dessas lembranças.. A Praia. Como foi perfeito aquele dia na praia. A noite sobre a luz das estrelas... Nosso sentimento, na época tão forte... Foi-se com a ventania que de tão poderosa fazia os pequenos grãos de areia levitarem. Ontem lembrei dos momentos felizes. Felizmente. Não acho um só momento triste quando recordo o que passamos E a saudade aperta. Mas uma saudade saudável Sem possessividade.. Saudade boa de lembrar.. lembrar e rir para não chorar.. por tudo que perdi. A lua me diz que tudo valeu a pena e sinto que valeu mesmo mas não o bastante.. pois sempre queremos mais nada é o suficiente principalmente quado se ama. Bom, ja não sei se esse é meu caso. Pois nada mais amo.. Nada mais sinto Nada mais existo. Mas um dia sentirei novamente... quem sabe. Só a lua sabe. Miroma. [ 13/11/2008 21:35]

Hier

Ainda Ontem... Eu lhe disse.. Vc prometeu.. Mas.. será que eu queria msm essa promessa? A rua silenciosa.. poucos carros a passar.. Não se ouvia nada.. A não ser algumas bexigas estourando que se perderam de festa alguma. Um silêncio mortal... mas vivo. Não se ouvia..só sentia. E como sentia. se sentia a respiração.. o entrelaçar dos dedos nos cabelos O roçar das faces O molhado da boca e o cheiro de cloro que vinha da casa ao lado. Não sei porque.. Mas não poderia deixar de descrever o cheiro que contaminava o ambiente. Era impossível não sentir. Mas foi breve. A vontade não estava cima de tudo Era preciso se controlar. Palavras não eram necessárias.. Poucas falas sussuradas já era o bastante. E o tempo passou voando. E a despedida foi longa. Miroma. [17/11/2008 11:24]

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

"Burra!" Gritava dando um tapa forte em sua própria testa. Ela então, pegava seu caderninho que lhe servi de diário para desabafar suas tristezas. Às vezes até molhando algumas folhas com suas lágrimas. E os pensamentos corriam em sua mente, trombando uns nos outros(embaralhando tudo), não a deixando raciocinar direito. Aí parava sem saber o verdadeiro motivo de sua tristeza. Só sabia que estava triste e ponto! No final concluia que era uma mistura de tudo..ou quem sabe apenas a merda da TPM. Miroma.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Se sou palhaço, por que choro? Se devo espalhar alegria, por que tenho lágrimas em meu rosto? Vivo num circo. Faço palhaçadas.Faço crianças, e até adultos rirem. Mas isso não me deixa feliz. Cadê o amor? Cadê minha vida? Cadê meu futuro? Cadê meu mundo? Sigo frustrado com meus sonhos nunca realizados, minha vida patética percorrendo quilometros e mais quilometros num trailer úmido e solitário. Miroma.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O Escritor

Se acorda às 6 da manhã, toma seu banho, bebe seu café, pega a chave da moto e segue rumo ao centro da cidade. Aquele transito terrível.. e ele pensa: "moto tem suas vantagens" e segue cortando os carros possíveis, sempre muito cuidadoso. Chega por volta das 7:40 no local de seu destino. Senta em frente ao computador e começa a jogar paciencia até seu chefe lhe dizer a programação para aquele dia. Passa o dia publicando fotos, melhorando os textos, editando tudo que for possível para ser entregue de maneira impecável. Às 12horas segue para seu almoço solitário no self-service da esquina. Come o de sempre; macarrão, um pedaço de carne, purê e salada. Nas sextas ele troca tudo isso por seu prato preferido, lazanha. Retorna ao escritório as 14horas. Trabalha duro para, quem sabe no final do dia, receber pelo menos um elogio. Às 18horas vai para o estacionamento, coloca seu capacete negro, monta na moto e segue para casa. Chega exausto, prepara seu café, toma um banho e assiste o jornal. No fim de mais um dia, o escritor já cansado, volta à sua mesa para digitar sua vida em forma de poema numa página pessoal. Miroma.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

As Pontes por Emerson Lins

Um sonho de felicidade que seja meu, novas coisas fluindo.Dizem que um rio nunca passa duas vezes pelo mesmo local. Se você abre a janela, o que você vê?Você ver o que sua alma pode alcançar. Fui o mesmo e nunca consegui ser sempre o mesmo.Os ditados velhos que me ensinaram às vezes se aplicam na minha vida,mas nunca quis uma vida de frases feitas. Se a esperança é a última que morre, não morrerei.Vivo na expectativa de uma conquista.Se eu juntar todas pequenas coisas que eu já passei, eu construo uma montanha.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Remorso

Por que não tentei?
Por que perdi a chance?
Por que a falta de motivação me levou a isso?
Por mais que eu tente não consigo deixar de pensar.. o remorso toda conta de mim. A raiva de mim mesmo e de um outro alguem me consome. Mas no fundo, só tristeza. Aquele choro preso. Por que não me expresso como deveria? Por que guardo tudo pra mim?
Ao mesmo tempo vem a tona a falta dele.. e o remorso por outro fato surgi. E o antigo remorso me atinge.. e como todos passam na minha cara meu erro, minha falta cometida, o que eu poderia ter feito, o que poderia ter tentado.
Enquanto muitos comemoram, curtem, eu estou aqui totalmente imóvel ouvindo algumas de minhas musicas melancólicas e me arrependendo do que fiz e do que não fiz.
Miroma.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Questions

Indignação? Sim. Ele não se importa.
Tristeza? Sim. Ele não se importa.
Raiva às vezes? Sim. Ele não se importa.
Carencia? Sim.Ele não se importa.
Eu me importo? Sim. Infelizmente sim.
Mas vou começar a não mais me importar.
Feliz agora? Sinceramente, não. Mas pretendo mudar.
Indiferente? Sim, pretendo ficar.
À procura? Sim. De coisas novas.
Mudanças? Sim. De humor. Constantemente.
E agora? Agora...agora? Bom, agora vamos morrendo a cada dia e tentando aproveitar o quanto puder. Tirar sempre alguma lição das coisas. E fim.
Miroma.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Turbulencia

Por que vazio? Algo esta errado... Procuro entender.. mas nem vejo nem ouço. Nem um eco. Não há notas ecoando. Não há nada. Só o vazio. E eu a me perguntar o que eu estaria pensando.. poxa, nem sei o que penso.. será que não penso?! Não, não... impossível! Pois aquele velho já dizia.. penso, logo existo. Então... se não penso.. quer dizer que não existo?! Como pode isso?! Estou aqui! Logo, existo. Mas por que não decifro meus pensamentos? Por que estão soltos vagando dentro de mim? Palavras soltas.. frases sem nexo... sentimentos pertubando.. misturando ainda mais tudo. E a musica que estou a escutar me faz sentir algo diferente. Uma vontade de pensar em alguém, me apaixonar de novo.. mas não há alguém para pensar, não há por quem me apaixonar.
Ainda tento decifrar.. ai que dificuldade! Já estou me irritando.. Poxa! Cadê? hein? ... Onde? Cadê? ... Ali? Será? ... Tem certeza? É ali mesmo? Não estou vendo.. nem ouvindo! Você tem certeza que é ali? ... Fugiu? Como assim fugiu? Ele não pode fugir de mim! Pra que lado ele foi? Pra lá? Certeza? ... Então vou correr atrás dele antes que eu o perca de vez.
Miroma.